Chá de capuchinha: benefícios, usos e preparo

O chá de capuchinha é uma infusão aromática feita com flores e, em algumas receitas, com folhas de Tropaeolum majus. Dependendo da região, também aparece como nastúrcio, flor-de-chagas, capuchinho ou cinco-chagas — nomes que remetem a uma planta ornamental muito cultivada, mas igualmente comestível. Ao levar a xícara ao nariz, surgem notas florais, herbais e levemente picantes, lembrando agrião e mostarda. Livraria Epamig

Por aqui, a capuchinha ganhou espaço na cozinha afetiva: além do chá, as flores entram em saladas, geleias e “caparrinhas” (botões/sementes verdes em conserva, no lugar das alcaparras). Na xícara, é uma bebida sem cafeína, boa para variar a hidratação com um toque de cor e perfume — sempre como experiência sensorial e cultural, não como promessa de cura. PMC

A planta pertence à ordem Brassicales e concentra glicosinolatos, especialmente glucotropeolina, que ao serem hidrolisados dão origem ao isotiocianato de benzila (BITC) — composto bioativo muito estudado. Isso reforça o mantra do consumo consciente: chá leve, moderação e atenção a grupos específicos (gestantes, lactantes, pessoas em tratamento), evitando extrapolar do alimento para o “medicinal” sem guia profissional. PMCPubMed

⚠️ Aviso: Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui orientação médica ou nutricional profissional.


Por que o chá de capuchinha agrada

O chá de capuchinha é delicado e vibrante: traz aroma floral com traço picante e cítrico-herbal, cor amarelo-dourada e final refrescante. Em infusões mais curtas, o perfil fica leve; com tempo maior, surgem notas vegetais mais marcadas.

Perfil sensorial (infusão leve)

  • Aroma: floral com toque fresco e leve pungência.
  • Sabor: suave, herbáceo, lembrando agrião/mostarda; amargor baixo.
  • Harmoniza com: casca de laranja/limão, gengibre, hortelã e canela.

Benefícios e curiosidades culinárias

  • Ritual sem cafeína: uma caneca morna pode auxiliar no relaxamento pós-refeição — um momento de pausa com perfume de jardim.
  • Flores comestíveis na cozinha: a capuchinha colore e perfuma caldas, xaropes (syrups) para sodas caseiras e saladas; os botões/sementes fazem ótimas conservas.
  • Compostos de interesse: estudos descrevem glicosinolatos e pigmentos (carotenoides como luteína) nas flores e folhas; são marcadores químico-sensoriais que ajudam a explicar a fama da planta, sem extrapolar para alegações terapêuticas absolutas. ScienceDirect

Usos tradicionais e populares

Registros culinários e etnobotânicos relatam uso popular de capuchinha na alimentação e em preparos aquosos suaves. Na Europa, formulações com capuchinha + raiz-forte são conhecidas em contexto fitoterápico; já na cozinha do dia a dia, prevalece o uso gastronômico das flores/folhas e infusões leves para beber, gargarejar ou resfriar em bebidas geladas. Mantenha o foco alimentar e a moderação. PMC


Tabela nutricional — flores de capuchinha frescas (100 g)

Abaixo, composição por 100 g de flores frescas (ingrediente). Valores de macronutrientes baseados em compilação técnico-científica; vitamina C conforme análise de flores comestíveis que incluiu Tropaeolum majus. A infusão pronta extrai pouca matéria — por isso, a xícara tem calorias e macros muito baixos (veja observação). RoyalDatasetPMC

Componente (100 g)Quantidade% VD*
Energia~28 kcal1%
Carboidratos4,73 g2%
Proteínas1,48 g2%
Gorduras totais0,33 g1%
Fibras0,77 g3%
Vitamina C~100 mg222%

* %VD estimadas para adultos (2.000 kcal/dia; carboidratos 300 g; proteínas 75 g; gorduras 55 g; fibras 28 g; vitamina C 45 mg).

Fontes: Relatório técnico-científico sobre PANCs com tabela de composição centesimal das partes comestíveis da capuchinha; estudo em flores comestíveis analisou vitamina C e apontou Tropaeolum majus com ~100 mg/100 g. RoyalDatasetPMC

Observação importante: chás de ervas brewed (camomila, por exemplo) têm ~0,3 kcal/100 g e traços de nutrientes; a xícara de chá de capuchinha segue a mesma ordem de grandeza. My Food Data


Como preparar chá de capuchinha

Rende: 2 xícaras • Tempo total: 7–10 minutos

Ingredientes

  • 2 colheres de chá de flores secas de capuchinha (ou 4–5 flores frescas, limpas)
  • Algumas folhas frescas (opcional, 2–3 unid.)
  • 500 ml de água
  • Opcional: casca de laranja/limão (sem a parte branca) e fatia fina de gengibre

Passo a passo (infusão):

  1. Aqueça a água até início de fervura.
  2. Desligue o fogo, adicione flores (e folhas, se quiser), tampe e aguarde 6–8 minutos.
  3. Coe delicadamente e sirva. Para versão gelada, resfrie e adicione gelo.

Quer revisar proporções e técnicas (infusão × decocção)? Confira: Como preparar chás naturais.

Variações saborosas

  • Cítrica-refrescante: finalize com limão e gelo.
  • Herbal-gengibre: capuchinha + gengibre + mel (adicione fora do fogo).
  • Syrup floral: reduza 1 parte de chá + 1 parte de açúcar até xarope leve; use em sodas e para pincelar frutas.

Uso alimentar e uso estético (com cautela)

  • Na cozinha: além do chá, use as flores in natura em saladas; folhas para perfumes verdes em omeletes e caldos; botões/sementes em conserva tipo “alcaparra”.
  • Tópico/cosmético caseiro: algumas pessoas usam a infusão fria em compressas pelo conforto sensorial. Faça teste de toque, evite olhos/mucosas e interrompa qualquer uso diante de irritação. Lembre-se: óleo essencial (quando houver) é concentradonão ingerir.

Conservação e cultivo

  • Flores frescas: colha pela manhã, quando estiverem bem abertas; mantenha refrigeradas em pote limpo, com papel-toalha para absorver umidade. Pesquisas brasileiras mostram melhor conservação em torno de 5 °C. Embrapa
  • Secagem doméstica: escolha flores íntegras, seque à sombra em local ventilado, armazene em pote hermético longe de luz/umidade; descarte se houver mofo ou odor atípico.
  • Cultivo: planta anual de fácil manejo; prefere sol pleno a meia-sombra, solo bem drenado e reposição regular de água. Colha moderadamente para não exaurir a planta.

Cuidados, contraindicações e segurança

  • Bioativos (glicosinolatos/ITCs): a capuchinha concentra glucotropeolina, que pode gerar isotiocianato de benzila (BITC) — composto ativo. Estudos clínicos e mecanísticos exploram efeitos antibacterianos; na rotina, prefira infusões leves e não use suplementos sem orientação. PMCPubMed
  • Gestação, lactação, crianças: por falta de dados robustos para uso interno frequente e concentrado, mantenha moderação ou evite.
  • Interações e sensibilidade: pessoas com condições gastrointestinais sensíveis podem preferir diluições menores. Se você usa medicamentos ou tem condição clínica, procure orientação individual.
  • Qualidade do insumo: use flores/folhas rotuladas e higienizadas. Evite coletas urbanas (contaminantes).

Reforço: Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui orientação médica ou nutricional profissional.


Perguntas frequentes (FAQ)

1) O chá de capuchinha tem cafeína?
Não. É infusão de flor/folha, naturalmente sem cafeína.

2) Posso tomar todo dia?
Prefira moderação e varie as ervas. Se houver gestação, lactação, uso de medicamentos ou condições clínicas, converse com um profissional.

3) Uso flores ou folhas?
Ambas funcionam; as flores dão toque floral e cor; as folhas puxam para o herbal-picante. Ajuste a quantidade ao paladar.

4) Perco nutrientes ao fazer chá?
Sim: a infusão extrai pouco de macronutrientes e parte dos micronutrientes; a xícara é leve em calorias e macros. Para vitamina C e carotenoides, o consumo culinário das flores (saladas, por exemplo) mantém melhor. PMC

5) As “alcaparras” de capuchinha existem mesmo?
Sim. Botões/sementes verdes podem ser conservados em vinagre e usados como condimento, tradição culinária popular.

6) O sabor lembra agrião?
Sim, por causa dos glicosinolatos; a família botânica é outra (Tropaeolaceae), mas o perfil picante lembra agrião/mostarda.


Leia mais

  • Estudo clínico (2024) – isotiocianato de benzila (BITC) de capuchinha e microbiota (Nutrients): ensaio duplo-cego, randomizado, com padronização do insumo; base para entender bioativos e manter moderação no uso doméstico. PMC

Veja mais em


Conclusão

O chá de capuchinha oferece aroma floral com traço picante e um visual vibrante para as suas pausas sem cafeína. Na rotina, pode auxiliar na criação de momentos de bem-estar e funciona como base versátil para bebidas quentes e geladas. Use flores/folhas de procedência, infusões leves e atenção às cautelas associadas aos seus bioativos. Quer seguir explorando sabores? Continue pelos guias do Blog Nutritivo!

⚠️ Lembrete final: Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui orientação médica ou nutricional profissional.


Box do autor

Artigo escrito por Alexandre Zorek, formado em Administração e com pós-graduação em Botânica. Apaixonado por orquídeas, fotografia e alimentação natural, pai da Bianca e da Beatriz, compartilha conhecimento confiável sobre plantas, frutas, chás e verduras de forma prática e acessível.

Alexandre Zorek, formado em Administração e com pós-graduação em Botânica. Apaixonado por orquídeas, fotografia e alimentação natural, pai da Bianca e da Beatriz, compartilha conhecimento confiável sobre plantas, frutas, chás e verduras de forma prática e acessível.