O chá de buriti parte da tradição amazônica de aproveitar o fruto do buritizeiro (Mauritia flexuosa), palmeira de veredas e igarapés muito presente no Norte e Centro-Oeste do Brasil. Na cultura alimentar, o buriti ganha fama em sucos, doces, cremes, sorvetes e ‘vinho de buriti’ (bebida preparada a partir da polpa); a infusão quente com toques cítricos ou especiados surge como alternativa aromática para variar a rotina — sem cafeína e com sabor singelo.
Em diferentes regiões, o fruto atende também por miriti, muriti e carandá. A polpa é densa, alaranjada e rica em carotenoides (pró-vitamina A), enquanto o óleo extraído da polpa tem cor âmbar e uso culinário e cosmético. É importante frisar: carotenoides são lipossolúveis; portanto, pouco migram para a água do chá. O ritual da xícara, aqui, é mais sobre aroma e conforto do que sobre aporte nutricional — se a meta é aproveitar carotenoides, dê preferência ao consumo da polpa em preparos alimentares com alguma gordura.
Antes de seguir, um lembrete essencial: escolhas naturais continuam pedindo bom senso e moderação. A polpa de buriti costuma ser usada em receitas doces e óleos culinários; se você tem restrições específicas, alergias a frutos de palmeiras ou segue planos alimentares com limites de açúcares e gorduras, ajuste porções e frequência.
⚠️ Aviso: Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui orientação médica ou nutricional profissional.
O que é o buriti (e como o “chá de buriti” se encaixa)
O buritizeiro é uma palmeira majestosa de áreas úmidas; seus frutos fornecem polpa oleosa e muito pigmentada, semente dura e epicarpo escamoso. Comunidades tradicionais usam polpa e óleo na culinária cotidiana e para receitas regionais. Já o que chamamos aqui de “chá de buriti” é uma infusão leve preparada com polpa desidratada (em lascas) ou com casca/epicarpo bem higienizado e seco, geralmente combinada a cítricos e especiarias para realçar aroma. É uma bebida culturalmente flexível, ideal para quem quer experimentar o sabor do fruto em versão quente e suave.
Benefícios e curiosidades culinárias do chá de buriti
Ritual relaxante sem cafeína: a xícara morna pode auxiliar a criar pausas após as refeições ou no fim da tarde.
- Aromas que combinam: casca de limão, gengibre e canela potencializam o lado cítrico-resinoso da bebida.
- Culinária regional na xícara: levar o buriti para a infusão é uma forma suave de celebrar a cultura alimentar amazônica, mantendo o protagonismo da polpa nas receitas (doces, sucos, cremes).
- Carotenoides em contexto: o buriti é notavelmente rico em pró-vitamina A, mas esses pigmentos quase não vão para o chá; o melhor caminho para aproveitá-los é consumir polpa/óleo em preparos com gordura, o que pode melhorar a disponibilidade.
Usos tradicionais e populares
No cotidiano amazônico, o buriti aparece em refrescos, doces, licores e no “vinho de buriti” (a partir da polpa). Relatos também registram a coleta de seiva do tronco para preparo doce em contextos tradicionais. A infusão com a fruta é um uso culinário doméstico contemporâneo — bom para quem busca variar bebidas quentes com um toque regional.
Tabela nutricional — polpa de buriti in natura (100 g)
A tabela abaixo reflete a parte usada na culinária (polpa). Em infusões, os valores não se aplicam diretamente, pois a extração em água é baixa (especialmente para carotenoides, que são lipossolúveis). Fontes: Embrapa (valores típicos/intervalos) com ênfase em Plantas para o Futuro – Região Centro-Oeste.
Componente (100 g) | Quantidade típica | % VD* |
---|---|---|
Energia | 145 kcal | 7% |
Carboidratos (totais estimados) | ≈ 9,8 g | 3% |
Proteínas | 2,6 g | 3% |
Gorduras totais | 11,0 g | 20% |
Fibras | 5,5 g | 20% |
Potássio | 218 mg | 6% |
Cálcio | 140 mg | 14% |
Fósforo | 30 mg | 4% |
Ferro | 2,0 mg | 14% |
Vitamina C | 38 mg | 84% |
Vitamina A (RAE) | 3.551 µg | 507% |
* %VD estimadas para adultos (2.000 kcal/dia): carboidratos 300 g; proteínas 75 g; gorduras 55 g; fibras 28 g; potássio 3.500 mg; cálcio 1.000 mg; fósforo 700 mg; ferro 14 mg; vitamina C 45 mg; vitamina A 700 µg RAE.
Notas: dados de polpa in natura; variações por safra e método analítico são esperadas. O valor de Vitamina A (RAE) vem de compilações com alto teor de β-caroteno; a biodisponibilidade melhora quando há gordura na receita (ex.: doces/cremes). O chá não entrega esses teores.
Referência cruzada útil: infusões de ervas (ex.: camomila) prontas têm ~0–1 kcal/100 g e micronutrientes em traços, o que ilustra por que o chá de buriti tem caráter mais sensorial que nutricional.
Como fazer chá de buriti (infusão aromática)
Rende: 2 xícaras • Tempo: 8–10 minutos
Você vai precisar
- 1 colher de sopa rasa de polpa de buriti desidratada (em lascas) ou 1 colher de chá de farofa grossa de epicarpo bem higienizado e seco*
- 500 ml de água
- Casca de limão (tiras, sem a parte branca)
- Opcional: fatia fina de gengibre e 1 pau de canela
* Use polpa/epicarpo certificados e limpos; evite coletas casuais sem identificação correta.
Preparo (infusão)
- Aqueça a água até início de fervura.
- Desligue o fogo, adicione buriti + casca de limão (e especiarias, se desejar), tampe e aguarde 8–10 minutos.
- Coe com pano/finíssimo (para reter partículas) e sirva puro ou com gelo.
Para proporções e diferenças entre infusão e decocção, veja nosso guia: Como preparar chás naturais.
Variações saborosas
- Cítrico-refrescante: sirva gelado com gotas de limão.
- Especiado-aconchego: buriti + gengibre + canela; toque de casca de laranja.
- Base para mocktail: use o chá como misturador com água com gás e xarope simples.
Uso alimentar – e cosmético com cautela
- Na cozinha: para realmente usufruir dos carotenoides, priorize polpa em cremes, doces, vitaminas ou sucos batidos com alguma gordura boa (ex.: iogurte natural, castanhas) — esse contexto pode favorecer a absorção.
- Óleo de buriti em cosméticos: produtos com óleo da polpa são valorizados por carotenoides e tocoferóis; em formulações adequadas, podem contribuir com sensação de maciez e coloração do produto. Para uso caseiro, faça teste de toque, evite olhos/mucosas e lembre: óleo vegetal não substitui protetor solar homologado. PMC
Conservação e cultivo
- Conservação da polpa e da “farofa”: mantenha em pote bem vedado, longe de luz e calor. A polpa fresca pode ser congelada em porções; as lascas secas pedem ambiente seco.
- Cultivo e manejo sustentável: o buritizeiro é nativo de veredas e áreas alagadas; a coleta responsável evita derrubar palmito ou danificar a palmeira. Prefira insumos de cadeias com boas práticas de manejo e artesanato a partir de folhas legalmente obtidas.
Cuidados, contraindicações e segurança
- Expectativa realista: o chá de buriti é sensorial; não é via eficiente para vitamina A (carotenoides são lipossolúveis).
- Alergias/intolerâncias: embora raras, reações individuais podem ocorrer — interrompa se houver desconforto.
- Produtos artesanais: escolha fornecedores confiáveis; evite partes não identificadas da planta.
- Dieta e metas de açúcar/gordura: receitas tradicionais com doce/creme/óleo podem elevar calorias; ajuste porções conforme sua necessidade.
Reforço: Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui orientação médica ou nutricional profissional.
Perguntas frequentes (FAQ)
1) “Chá de buriti” tem muita vitamina A?
A polpa é riquíssima em pró-vitamina A, mas carotenoides migram pouco para a água. Para esse nutriente, prefira polpa/óleo em receitas com gordura.
2) Dá para usar a casca (epicarpo) no chá?
Algumas pessoas secam e moem epicarpo para infusão muito leve, apenas aromática. Use quantidades pequenas, coe bem e priorize higiene/procedência.
3) Posso fazer com polpa congelada?
Pode, mas o ideal para chá é polpa desidratada (melhor rendimento e coagem). A polpa congelada funciona melhor em sucos e cremes.
4) O óleo de buriti vai no chá?
Não. Ele é culinário/cosmético. Em bebidas, óleo adiciona gordura e muda a textura; se a intenção é absorver carotenoides, o caminho é receita com alimento (iogurte, mingau, creme).
5) O que combina com o chá de buriti?
Limão, gengibre, canela e laranja combinam bem. Para versão gelada, finalize com gelo e água com gás.
6) Há alguma contraindicação específica?
Não há proibições clássicas para a infusão suave; siga moderação, atenção a alergias e qualidade do insumo. Para condições de saúde específicas, converse com profissional.
Leia mais
- Ministério da Saúde – Alimentos Regionais Brasileiros (2ª ed.): destaque para o uso da polpa do buriti em refrescos e preparos alimentares da cultura brasileira. Biblioteca Virtual em Saúde MS
Leia mais aqui no Blog Nutritivo
Conclusão
O chá de buriti entrega um aroma regional e uma forma suave de celebrar a biodiversidade brasileira na xícara. Lembre-se: a polpa é a estrela nutricional (carotenoides), mas infusões são sobretudo experiência sensorial — ótimas para pausas e hidratação. Valorize procedência, experimente as variações e explore outras plantas no Blog Nutritivo!
⚠️ Lembrete final: Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui orientação médica ou nutricional profissional.
Box do autor
Artigo escrito por Alexandre Zorek, formado em Administração e com pós-graduação em Botânica. Apaixonado por orquídeas, fotografia e alimentação natural, pai da Bianca e da Beatriz, compartilha conhecimento confiável sobre plantas, frutas, chás e verduras de forma prática e acessível.
