O chá de algodoeiro é uma infusão feita a partir de partes do Gossypium spp. — tradicionalmente folhas e, em alguns registros populares, a casca da raiz. O sabor é herbáceo, levemente amargo e terroso, com um perfume discreto que combina com especiarias e cítricos.
Dependendo da região, você encontra referências como algodão, algodoeiro, cotton (inglês) e os nomes botânicos Gossypium hirsutum ou G. herbaceum. Em todos os casos, o foco culinário é preparar uma bebida aromática de forma responsável e segura, respeitando particularidades da planta.
A seguir, você confere benefícios e curiosidades culinárias, usos tradicionais, receita prática, dicas de conservação e cultivo, além de um FAQ direto ao ponto.
⚠️ Aviso: Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui orientação médica ou nutricional profissional.
Chá de algodoeiro: o que é e por que agrada
O chá de algodoeiro nasce da infusão de folhas secas (ou da decocção leve de partes mais rígidas, como cascas). O resultado é uma bebida herbácea e terrosa, que pode ser consumida quente ou gelada e funciona muito bem com limão, hortelã, canela e gengibre.
Perfil sensorial em poucas palavras
- Aroma: herbal discreto, notas de campo.
- Sabor: leve amargor com fundo terroso.
- Cor: âmbar-claro a dourado, variando com o tempo e o tipo de preparo.
Benefícios e curiosidades culinárias do chá de algodoeiro
Sem promessas absolutas: encare o chá de algodoeiro como um hábito gastronômico que pode auxiliar a variar a hidratação e trazer um perfil herbáceo para receitas doces e salgadas.
- Ritual reconfortante: a xícara quente cria pausas conscientes ao longo do dia.
- Base aromática versátil: combina com cítricos, especiarias e outras ervas (capim-limão, hortelã), suavizando o amargor natural.
- Na cozinha: rende xaropes culinários para bebidas sem álcool, geleias com frutas vermelhas e reduções para legumes assados.
- Composição vegetal: estudos químicos descrevem flavonoides distribuídos em diferentes partes do algodoeiro — informação interessante para quem explora aromas e colorações naturais em preparos culinários. PMC
Usos tradicionais e populares (cultura alimentar)
Registros etnobotânicos mencionam o algodoeiro em preparos populares (infusões e decocções) em diferentes localidades, sempre dentro de um contexto cultural e culinário. Nos lares, a bebida costuma ser ajustada com limão, canela ou melado para equilibrar o leve amargor. Essas práticas integram a cultura alimentar e não configuram alegações de saúde.
Tabela nutricional — algodoeiro (folhas) | 100 g
As tabelas abaixo representam a matéria-prima (folhas), não a bebida pronta. Em chás, os nutrientes ficam muito diluídos — a xícara terá valores bem menores.
Folhas cruas (Gossypium barbadense) — 100 g
Base úmida; dados de estudo com folhas frescas. ConsensusResearchGate
Componente | Quantidade | % VD* |
---|---|---|
Energia | 90 kcal | 5% |
Carboidratos | 13,5 g | 5% |
Proteínas | 7,1 g | 9% |
Gorduras totais | 0,9 g | 2% |
Fibra “bruta” (nota 1) | 2,6 g | — |
Umidade | 73,2 g | — |
Cinzas (minerais totais) | 2,7 g | — |
Fonte dos dados: estudo sobre a composição proximal de folhas frescas de G. barbadense (valores médios: proteína 7,10%; umidade 73,2%; cinzas 2,7%; fibra “bruta” 2,6%; lipídeos 0,9%; carboidratos 13,5%). Consensus
Folhas secas (Gossypium hirsutum) — 100 g
Base seca; amostra pulverizada. globalscientificjournal.com
Componente | Quantidade | % VD* |
---|---|---|
Energia (estimada) | 324 kcal | 16% |
Carboidratos | 48,49 g | 16% |
Proteínas | 19,68 g | 26% |
Gorduras totais | 5,66 g | 10% |
Fibra “bruta” (nota 1) | 12,73 g | — |
Cinzas (minerais totais) | 3,40 g | — |
Umidade | 10,04 g | — |
Sódio | 4,17 mg | <1% |
Potássio | 289,45 mg | 8% |
Cálcio | 410,80 mg | 41% |
Ferro | 1,68 mg | 12% |
Fonte dos dados: análise proximal e minerais de folhas secas de G. hirsutum (AOAC 2012). globalscientificjournal.com
Notas e critérios
- (1) “Fibra bruta” ≠ “fibra alimentar” da rotulagem nutricional. É um método antigo (Weende) e não deve ser convertido diretamente em %VD de fibra alimentar.
- %VD* calculadas com referências usuais para rótulos (energia 2.000 kcal; carboidratos 300 g; proteínas 75 g; gorduras totais 55 g; sódio 2.000 mg). Para cálcio foi adotado 1.000 mg/dia, ferro 14 mg/dia e potássio 3.500 mg/dia como referências gerais.
- Variação natural: espécie (barbadense x hirsutum), solo, estágio de colheita e método de secagem alteram os números.
- Uso em chá: a infusão extrai parcialmente esses nutrientes; a xícara costuma ter 0–1 kcal por 100 g e minerais em traços.
Como fazer chá de algodoeiro (receita prática)
Imagem sugerida (alt text): “Folhas secas de algodoeiro sendo infusionadas em água quente dentro de uma chaleira de vidro.”
Rende: 2 xícaras • Tempo: 10–15 min
Ingredientes
- 1 colher de sopa bem cheia de folhas secas de algodoeiro (Gossypium spp.)
- 500 ml de água
- Opcional: rodelas de limão, pau de canela, fatia fina de gengibre, melado (ou adoçante de preferência)
Modo de preparo (infusão):
- Aqueça a água até início de fervura (antes de borbulhar forte).
- Desligue o fogo, adicione as folhas, tampe e aguarde 7–10 minutos.
- Coe e sirva. Ajuste com limão, canela ou melado.
Quando usar decocção (partes mais rígidas): para cascas/raízes rasuradas, faça fervura suave de 2–3 minutos e depois deixe tampado por mais 5–7 minutos antes de coar — técnica clássica para partes duras em preparos de chás. Serviços e Informações do Brasil
Para dominar proporções, métodos e tempos, confira nosso guia: Como preparar chás naturais.
Variações saborosas
- Cítrico-suave: algodoeiro + limão (ou laranja) para acidez equilibrada.
- Herbal-quentinho: algodoeiro + canela e gengibre.
- Gelado refrescante: faça o chá, resfrie e sirva com gelo e hortelã.
Uso alimentar e ideias criativas
- Xarope culinário de algodoeiro: água + açúcar mascavo (ou melado) + folhas; reduza, coe e use em drinks sem álcool, sodas artesanais e frutas (maçã, pera).
- Geleias/compotas: a infusão dá fundo herbáceo a geleias de frutas vermelhas.
- Reduções aromáticas: reduza o chá com suco de laranja e toque de vinagre de maçã para finalizar legumes assados.
- Cubos aromáticos: congele chá concentrado em forminhas e use em água com gás.
Uso estético/cosmético (com cautela)
Relatos artesanais citam compressas e banhos de ervas pelo aroma. Faça teste de toque, evite contato com olhos/mucosas e suspenda se houver irritação. Esses usos são tradicionais/populares, sem garantias de resultado.
⚠️ Reforço: Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui orientação médica ou nutricional profissional.
Conservação e cultivo
Conservação da erva seca
- Armazene em pote vedado, ao abrigo de luz, calor e umidade.
- Evite colher úmida dentro do pote; use colher seca ao porcionar.
- Observe validade do fornecedor; descarte se houver mofo ou odor estranho.
Cultivo doméstico — noções básicas
- O algodoeiro prefere clima quente, luz abundante e solo fértil com boa drenagem.
- Mantenha rega regular sem encharcar.
- A colheita das folhas pode ser feita em plantas bem estabelecidas; não utilize sementes para consumo doméstico (ver “Cuidados”).
Cuidados, contraindicações e segurança
- Sementes e raízes do algodoeiro podem conter gossipol, substância tóxica em determinadas concentrações. Por isso, não use sementes em preparos caseiros; e, se considerar cascas/raízes, priorize orientação profissional e produtos identificados. ppgcta.ufc.br
- Em geral, infusões aquosas têm baixíssima carga calórica, mas o consumo deve respeitar preferências e sensibilidade individuais.
- Pessoas com condições específicas (uso de anticoagulantes, gestantes, lactantes, crianças, doenças crônicas) devem conversar com profissional de saúde antes do uso frequente.
- Qualidade da fonte: verifique procedência da erva e identificação botânica (Gossypium spp.).
- Políticas públicas: consulte as listas oficiais de plantas priorizadas para uso no sistema público de saúde antes de adotar rotinas com ervas menos comuns. (Leitura: Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS – RENISUS.) Serviços e Informações do Brasil
⚠️ Lembrete: Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui orientação médica ou nutricional profissional.
Perguntas frequentes (FAQ)
1) Qual parte do algodoeiro usar no chá?
Culinarmente, priorizam-se folhas secas. Partes rígidas (cascas) exigem decocção leve; sementes não são indicadas para uso doméstico.
2) O chá de algodoeiro tem cafeína?
Não. É uma infusão de erva sem cafeína e praticamente isenta de calorias quando preparada sem açúcar. My Food Data
3) Posso tomar gelado?
Sim. Prepare normalmente, resfrie e sirva com gelo e hortelã.
4) Dá para adoçar sem açúcar branco?
Se desejar, experimente melado ou rapadura derretida. Para o dia a dia, prefira não adoçar.
5) Posso misturar com outras ervas?
Sim — hortelã, capim-limão e gengibre são combinações populares. Ajuste proporções para que o amargor não domine.
6) Existe quantidade “padrão” por xícara?
Como referência culinária inicial, 1–2 colheres de chá de folhas para 200–250 ml de água. Ajuste ao paladar.
7) Por que há tanta cautela com sementes e raízes?
Devido ao gossipol, composto natural do algodoeiro associado a toxicidade; por isso, evite sementes e procure orientação profissional antes de experimentar partes menos usuais. ppgcta.ufc.br
Links internos para continuar aprendendo
Conclusão: chá de algodoeiro na sua rotina
O chá de algodoeiro oferece um perfil herbáceo-terroso que pode auxiliar a diversificar sabores e rituais à mesa — de versões quentes a geladas, de xaropes culinários a reduções para legumes. Com atenção à qualidade da erva, respeito aos cuidados de segurança e preparo correto, essa infusão encontra um espaço curioso e criativo no cotidiano.
⚠️ Lembrete final: Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui orientação médica ou nutricional profissional.
Box do autor
Artigo escrito por Alexandre Zorek, formado em Administração e com pós-graduação em Botânica. Apaixonado por orquídeas, fotografia e alimentação natural, pai da Bianca e da Beatriz, compartilha conhecimento confiável sobre plantas, frutas, chás e verduras de forma prática e acessível.
